25 de março de 2010

O Perigo da História Única




O professor Severino Nguenha, a quem tive o privilégio de encontrar em suas aulas, já dizia: fazer historia é como esoclher o nosso bolo de aniversario. Uns vão preferir de chocolate, outros de coco e outros de laranja. No mercado (de todas coisas que se passam nesse mundo), escolhemos então o que preferimos: laranja, no meu caso. O chocolate e o coco existem e sempre existiram... E continuam lá, no mercado do mundo. Mas como o aniversario é meu, o bolo sai como eu quero. Nossa!
Esse vídeo é mais uma contribuição da Manô, treinel de Sampa, que vive nos alimentando com coisas boas da internet. Alô Mano! Tá na hora de ouvirmos umas palavras suas em primeira pessoa!

18 de março de 2010

Palavra do mês: kaya

Essa todo mundo já ouviu, em um context ou outro. Em um significado ou outro… até o Gil já falou de Kaya N’Gandaia, lembra? Kaya de cair e de outras milongas mais.
Aqui quando ouvimos Kaya ouvimos CASA. Lar, home. Aquele lugar tão especial que criamos para recarregar nossas energias. Aquele abrigo às agruras e doçuras do mundo, onde reina (ou deveria) reinar a paz…

Casa. Aqui no Nzinga é nossa casa também, e casa do que vêm por bem. Nossa casa a gente cuida e é cuidad@ por ela. Casa é corpo, casa é a gente mesmo…

2 de março de 2010

A roda de 8 de Março cresceu!

A roda do dia 08 de março cresceu e nos encontraremos também no domingo - dia 07 - para um dia de capoeira, aprendizado e confraternização. Que legal! Estejam lá!

22 de fevereiro de 2010

8 de Março



8 de Março, dia internacional da Mulher
8 de Março, aniversário do Nzinga. Esse ano, fazemos 15 anos.
8 de Março, dia de mulheres e homens aprenderem a igualdade.
8 de Março, dia de mulher se olhar pra dentro e perceber a foça da luta que a liberdade a obriga a lutar.
8 de Março, dia de homem se olhar pra dentro e perceber onde moram seus privilégios, aprendidos desde a mais tenra mente.
8 de Março, dia de a Capoeira se olhar pra dentro e transformar práticas que repetem e ensinam a perpetuar tais opressões.
8 de Março, mais do que noutros dias, é dia de ver a roda pequena como roda grande, dia de entender a responsabilidade do capoeira em construir pouco pouco um mundo mais justo.
8 de Março, dia de Chamada de Mulher no Nzinga. Dia de perceber o que é resistência e porque fazê-la. Quem ainda não percebeu, vá lá. Quem percebeu também.

17 de fevereiro de 2010

Revelando origens

É um exercício perfeito para o capoeirista, este de buscar revelar e explicar a origem da Capoeira. Como sabemos muito bem obrigado, suas origens são múltiplas, pesquisa acerca disso são poucas e certezas… Bem essas é que estão raras no papo.

Vê-se correlação entre o Xitende e o Berimbau, entre a capoeira e diversas danças que, ainda hoje, são praticadas em Africa e na diáspora africana.

Essa semana, o terinel Denis, de Sampa, nos colocou en frente à Ladja, espécie de dança-jogo praticada na Martinica. Se liga na mandinga desses caras! A origem da mandinga revelada, pode-se dizer. Percebam que este ritual praticado lá tem muito mais a ver com a capoeira do que simplesmente os movimentos (uns lembram o rabo-de-arraia). Há uma bateria, um puxador de canto, o coro e duas pessoas jogando no meio. Incrível!

O primeiro vídeo é um documento histórico sobre a Ladja, de 1936. O segundo parece mais recente.




Valeu Dero, pela pesquisa continuada. Valeu pelo conhecimento continuado e compartilhado!

16 de fevereiro de 2010

Palavras sábias de Fernandinho

As palavras que seguem são do Fernando, um aluno do Nzinga Maputo de 18 anos. Todos fizeram uma pequena “tarefa para a casa”, onde tinham que dizer o que aprenderam com a vinda dos mestres e o que acham que poderia ter sido diferente.
As respostas deles são aula de capoeira, inteirinhas. O Fernando, nessa aula dele, nos ensina sobre a diferença entre o capoeirista e o jogador de capoeira, sobre o respeito, sobre dedicar-se por inteiro `a capoeira. Olha só que o cara escreveu:

“Eu, Fernando Alfredo Mavolane aprendi muita coisa com os três dias de evento.
Sem falar dos movimentos que todos são bonitos de se fazer e são surpreendentes, quando a outra pessoa menos espera você a surpreende e ele fica apavorada. A Mestra Paulinha, o Mestre Poloca, o Daniel, o Dênis e a Manô deixaram ficar bonitos movimentos.
E dizer que aprendi muito mesmo só pelo jeito de ser dos mestres e dos treineis, já é um grande aprendizado para mim.
E falar das belas palavras que eles deixaram ficar, que Capoeira não é só meter o pé pra cima e dizer que é tudo porque não é. Capoeira é o que não é capoeira. Essa frase me marcou porque nó queremos ser capoeiristas e não simplesmente jogadores de capoeira.
No meu conhecimento, jogador de capoeira só se preocupa com os movimentos da Capoeira, e o capoeirista não se preocupa só com isso. O capoeirista se preocupa também com o desenvolvimento do seu grupo e muito mais.
Eu não consigo encontrar as palavras para dizer o quanto eu estou feliz no Grupo Nzinga de Capoeira Angola. Não tenho mais nada a dizer, só dizer obrigado ao Mestre Poloca, à Mestra Paulinha e à Mestra Janja por terem ensinado ao Limaverde esta linda arte que agora ele ensina para nós. Obrigado também ao Lima por tudo o que já fez e continua fazendo.
Um abraço.”


Aê Fernandinho, nós é que te agradecemos por entenderes tanto disso tudo.

29 de janeiro de 2010

Berimbau Eletrônico

O Mestre Toshiba cresceu! Olha só, o berimbau ganhou até versão robotizada. Segundo o inventor, ele toca pelo menos 7 toques da capoeira. O filme dá alguns exemplos… Querendo saber mais, leia o post do inventor no seu blog.







Eu, que ainda faço parte dos antiquados, prefiro assim aprender o tchim e o dom do meu mestre, aquele que me ensina, me desafia, me faz entender a vida. Já dizia o Gilberto Gil, que acariciou a cultura brasileira enquanto ministro e enquanto pensante, já disse desde 1968, com essa musica Cerebro eletrônico:

“O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda

Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu

Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço. Hum
Eu penso e posso

Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte

Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus
Olhos de vidro”

Eu sou curioso de saber o que ele diria do berimbau eletrônico… Eu mesmo, gostava de ver. Pra crer. E depois, acho que ia querer distancia! Mas é estranho, ao mesmo tempo que interessante, pensar a capoeira nessa era virtual. Vishe!

Agradecendo ao M C, do Nzinga Sampa, por ter compartilhado o que ele achou!